17.5.13
16.5.13
E a Escola?
Carta aos Pais
Ex.mo Sr.
Encarregado de Educação:
Tendo em conta a gravidade da situação do país e, muito em particular, da Escola Pública, dirigimo-nos, deste modo, aos Pais e Encarregados de Educação.
Como é sabido, o Governo tem vindo a encetar uma série sucessiva de cortes nas funções do Estado e, em particular, na Escola Pública, visando, ao que dizem, equilibrar as contas públicas e diminuir a dívida do país.
No entanto, como também é público, não só a dívida global do país tem aumentado como também o défice, pese embora o crescente empobrecimento de funcionários públicos e pensionistas, não dá sinais de estabilizar. Em grande parte, a subida da dívida e a manutenção do défice nos valores atuais deve-se a que as políticas de austeridade têm conduzido a um brutal aumento do desemprego, e consequentes encargos sociais, e à diminuição do consumo em geral, fazendo diminuir, ao mesmo tempo, os resultados das coletas de impostos, em virtude da diminuição acentuada da atividade económica.
No entanto, o efeito destas políticas especificamente sobre a Escola Pública é ainda mais terrível. Tendo como objetivo a sua desestruturação, o Governo decidiu encetar na Educação uma série de políticas, das quais destacamos:
- cortes nos apoios socioeconómicos às famílias (SASE, NEE, apoios escolares…);
- aumento do preço dos manuais escolares;
- aumento do custo dos passes de transportes escolares;
- aumento do número de alunos por turma, até ao máximo de trinta;
- aumento do horário de trabalho letivo dos professores, implicando a diminuição de aulas de apoio individualizado aos alunos;
- aumento de número de turmas e de alunos por professor, que pode, em alguns casos, chegar a mais de 250 ou mesmo 300 alunos por professor;
- diminuição do número de horas dos professores para receber as famílias dos alunos;
- quase eliminação de horas no horário de trabalho dos professores para o trabalho individualizado ou não disciplinar com os alunos;
- congelamento das carreiras e progressões profissionais dos professores, há pelo menos seis anos;
- redução acentuada dos salários;
- redução do número de funcionários auxiliares/administrativos.
Todas estas políticas, incluindo um novo e considerável aumento do horário de trabalho dos professores, nova redução de salarial, anunciado aumento das propinas dos alunos (espécie de taxas moderadoras da educação), das refeições escolares/bar/reprografia têm um único objetivo: reduzir o investimento na educação até um mínimo desprezível, permitindo o despedimento do máximo de professores e outros funcionários das escolas, abrindo espaço à privatização do ensino público e à sua transformação num negócio, transformando a Escola Pública numa escola exclusiva para pobres.
Claro que conhecemos uma certa argumentação segundo a qual o despedimento de professores tem diretamente a ver com a redução do número de alunos. Mas isso simplesmente não é verdade. O número de professores aposentados nos últimos anos tem sido verdadeiramente esmagador, compensando a relativa diminuição do número de alunos, para já não falar no enorme número de adultos e jovens adultos portugueses com baixíssimas qualificações que procuram as escolas portuguesas mas a que estas, pelos cortes produzidos, não são capazes de responder.
A Escola Pública está no centro da Democracia portuguesa. Ela é o seu mais poderoso instrumento de ascensão, mobilidade e igualdade social, tendo produzido as mais qualificadas gerações da história de Portugal, permitindo que os jovens de todas as classes sociais e níveis económicos pudessem aspirar a uma vida melhor. O que estas políticas do Governo pretendem é, pelo contrário, diminuir a capacidade de ação educacional e cívica da Escola Pública, entregando ao mercado e à competição económica a tarefa de qualificar os portugueses. Todos sabemos onde isso nos irá conduzir: à criação de uma sociedade com dois níveis: um para ricos e outro para pobres, sem espaço para a justiça e a igualdade social. A curto prazo é a própria democracia portuguesa que está em causa.
Todas estas políticas afetarão imediatamente as vidas de milhares de professores, muitos com dezenas de anos de serviço, conduzindo-as à pobreza, mas, logo a seguir, afetarão também profundamente todos os portugueses e a capacidade da Escola Pública para educar e formar as crianças e jovens, eliminando as suas perspetivas de um futuro com um mínimo de esperança e prosperidade.
Todas as posições que os professores venham a adotar visam defender a Escola Pública. Neste sentido, vimos apelar aos pais dos nossos alunos para que se ponham do nosso lado na defesa de uma educação de qualidade; sem um número mínimo de professores e condições profissionais, o seu trabalho será crescentemente difícil ou, até, uma triste impossibilidade, cujo preço final não deixará de ser pago pelos alunos das escolas portuguesas.
A defesa da Escola Pública e do trabalho, com qualidade, dos professores, é, afinal, a defesa das crianças e jovens de Portugal (vossos e nossos filhos), para os quais se exige a nossa mobilização e ação conjuntas.
Contamos consigo.
8.5.13
29.4.13
Fabrics and prints
Nem tudo o que vem do norte é frio, que o diga eu quando vejo ano após ano as coleções da marca finlandesa Marimekko. É um verdadeiro problema não só pelo design, tecidos, cores e formas mas sobretudo pelo facto de nada poder ser comprado em Portugal e também por ser bastante caro. Adoro tecidos, estampagens, peças em cerâmica, desenhos geométricos e muitas cores e esta marca reúne praticamente tudo isto mais os motivos naturais ( que também adoro ) e que espelham um pouco da filosofia de vida dos nórdicos.
13.4.13
1.4.13
They rock my heart
23.3.13
Vencer
The Tutu Project
O recente desaparecimento da minha primeira namorada fez-me conhecer este projecto magnífico de Bob Carey que por meio de fotos espelha a luta solitária, esperançosa e por vezes desanimadora dos doentes de cancro. De salientar, que também ele viveu de perto todo este drama de luta e de perda com o falecimento da mãe vítima de cancro da mama.As fotos estão agora reunidas num livro e que serve para não nos esquecermos que o cancro seja de que tipo for existe e mata mas mais importante que isso é que exige, de todos, uma vigilãncia que não pode dormir porque ele é matreiro e ladrão de vidas. A vida é feita de muitas vontades e não de sonhos que ficam por concretizar.
16.3.13
5.3.13
dos Imortais
Wings of desire- Win Wenders
Tenho andado por aqui a tentar encontrar uma forma de
escrever sobre o que vai cá dentro. Quando de repente a meio das lides
domesticas do nada surge a
consciente noção de que não há alturas certas para alguns assuntos.
Ainda não me é fácil mas também sei que só aos poucos irei digerir esta
ausência.
A morte. O desaparecimento.
As pessoas são únicas mas dentro dessa unicidade há aqueles
a quem consideramos imortais, achando sempre que nunca lhe chegará a hora ou
cobardemente considerando que a
nossa chegue primeiro a fim de nos sentirmos mais despreocupados na dor. Mas a
mente trai e ficamos sem chão, ficamos sem tempo para perceber o que não é para
ser compreendido. A morte não se compreende, a morte aceita-se e ponto final,
esta é a minha conclusão ainda que a dor me turve o pensamento.
A vida ensinou-me que a família é feita de afetos e de
pessoas que escolhemos ou que acolhemos no coração. A vida e não só, as
pessoas. As pessoas foram e têm sido verdadeiros companheiros da minha viagem
com a sorte de ter escolhido as pessoas certas que me ensinaram a ser melhor
sobretudo para mim própria. Talvez por achar que as pessoas são o que de melhor
levamos desta vida me seja depois mais difícil cortar laços. E aqui entra
novamente a morte. A morte que me obriga a cortar fisicamente os laços que
considero irrepetíveis e únicos mas que jamais a alma deixa escapar.
Não é uma questão de solidão é tão somente porque há pessoas
que são eternas como tudo aquilo que vivemos com elas, o deslumbramento, o
primeiro beijo, a primeira namorada, a aprendizagem. ... e o que eu aprendi
contigo minha querida.
Pergunto-me se o que olhas agora tem a mesma cor de outros
dias para me agarrar à certeza de que estás bem, e aceitar que a vida te foi
roubada. Por aqui fica a certeza de que és imortal porque te sinto nos momentos de silêncio, todos os dias
e porque o mar continua a perpetuar a tua existência para alem do palpável.
17.2.13
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